Início da vacinação contra a Covid-19!

Na semana passada, a vacina produzida pelo Instituto Butantã em parceria com o laboratório chinês Sinovac finalmente teve os dados apresentados para avaliação da ANVISA. Ela se junta à vacina de Oxford, produzida aqui em parceria com a Fiocruz. Enquanto isso, o embate entre o governador de São Paulo e o Ministério da Saúde, a lentidão na compra de seringas e as indefinições no planejamento para a imunização nacional esquentam as discussões no plano político.

Nossa Diretora Técnica e Estratégica, Liana Montemor concedeu uma entrevista exclusiva à CNN Brasil, no PodCast E tem Mais sobre os desafios logísticos no transporte e armazenagem para as vacinas contra a COVID-19.

Acompanhe abaixo como foi a entrevista:
Repórter: Mais do que pensar na compra e no registro da vacina, o Governo Federal e os estados também precisam pensar em como ela vai ser distribuída e armazenada. Neste sentido, quais são os maiores desafios?

Liana: Nós temos um grande desafio aqui no Brasil o qual é manter a rede do frio funcionando, desde que o produto é produzido no detentor do registro na indústria farmacêutica, até ser entregue ao paciente final que vai fazer o uso desse medicamento.
Precisamos manter o produto na faixa de temperatura ideal pelo tempo necessário para que aconteça esse transporte. Então quando nós pensamos na vacina contra a covid-19, que sai dentro do instituto Butantã, local aonde ela está sendo produzida/finalizada até que ela chegue para a população a temperatura dela, deve ficar dentro da faixa de temperatura de 2 a 8°C e deve ser mantida e respeitada, para que os 78% a 100% de eficácia, se mantenham.

Todo o processo de armazenamento em câmaras frias, por exemplo, deve possuir qualificação, além das embalagens térmicas e caminhões refrigerados, os quais vão transportar essas vacinas para que nós não tenhamos a quebra na cadeia do frio, e consequentemente, uma ineficácia do medicamento que vai ser aplicado.

Repórter: O Governo do estado de São Paulo já anunciou que a imunização pode até acontecer em estações trem. Quais os cuidados com o armazenamento isso requer?

Liana: Precisamos pensar que a vacinação pode acontecer em campo, independente dela ser dentro de um hospital, clínica ou no posto de saúde, desde que seja armazenada e transportada de acordo com a sua especificação.
Então vamos dar um exemplo: Se nós tivermos uma vacinação numa estação de trem, nós temos que ter um local adequado com uma caixa térmica com gelo (os quais devem ser qualificados) e isso é um processo extremamente técnico para fazer os estudos em laboratórios de ensaios térmicos através de regulamentos técnicos da ANVISA.

Existem uma série de guias nacionais e internacionais para este tipo de estudo. Então desde que se tenha um local apropriado para fazer a armazenagem e que esse local tenha sido previamente estudado e contemplado com todos os possíveis riscos que possam trazer para o medicamento, isso é possível acontecer. Se essa vacinação/campanha for durar 12 horas é preciso garantir que desde que elas saiam do distribuidor até chegar na estação elas estejam acondicionadas na temperatura ideal, caso contrário pode-se ter uma ineficácia do produto.

Repórter: As regiões do Brasil com menos infraestrutura terão dificuldades em imunizar a população?

Liana: Com certeza. Hoje a gente avalia os diferentes elos da cadeia, e estamos falando desde a indústria farmacêutica até a passagem por um operador logístico, as transportadoras, os distribuidores, hospitais ou clínicas. Elos que estão mais distantes do detentor do registro, nós temos uma chance maior de acontecer a quebra da cadeia do frio.

Em regiões remotas que os transportes são, por exemplo, em barcos para vacinar a população que vive na Amazônia, é preciso tomar muito cuidado com o local onde essa vacina vai estar exposta e o tempo de transporte.

Repórter: E levando em conta esses riscos que você acabou de citar, o Brasil teria estrutura para comprar vacinas mais sensíveis ao calor como da Pfizer ou a da Moderna?

Liana: Sim. O Brasil tem estrutura, pois tem uma rede de frio que funciona a muito tempo, pensando no programa de imunização que já existe pelo Governo. O que a ANVISA tem feito com relação a isso é estarmos atentos de ponta a ponta em todos os elos da cadeia, os quais são as necessidades para fazer uma adequação de qualidade do ponto de vista logístico e de qualidade para quem recebe essa vacina, para quem transporta e armazena.

Para acompanhar mais detalhes sobre este tema, confira o PodCast, clicando aqui!
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